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Amazônia, Pará, Brazil
Gestor Ambiental, Técnico em Pesca e Aquicultura, com experiência em pesca artesanal continental, estuarina e litorânea. Trabalhou no Departamento de Ictiologia do Museu Paraense Emílio Goeldi (convênio, FINEP/IBAMA/MPEG/CNPq); no Projeto de Manejo dos Recursos Naturais da Várzea, Sub Projeto Estatística Pesqueira, do Programa Piloto para a Proteção das Florestas Tropicais do Brasil do Ministério do Meio Ambiente (conv. MMA/FADESP/UFPA); no Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM / WWF) e foi colaborador na Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Medicina e Segurança do Trabalho (FUNDACENTRO-Pará / Mistério do Trabalho e Emprego.). Atualmente é Extensionista Rural da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará – EMATER.

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

REGIÃO DO SALGADO



A pesca na Região do Salgado

Por Nadson Silva Oliveira


Região do salgado é o nome dado para o conjunto de municípios do Nordeste Paraense que localizam-se no litoral paraense. Área dominada por mangue. É desejado pelos pescadores paraenses, maranhenses e cearenses, por apresentar o maior número de espécies nobres do litoral amazônico: Pescada Amarela, bijupirá, Dourado, Enchova, Cherne, Dentão, Cavala, Vermelho, Serra, Serigado, Mero, Ariacó, Cioba, entre outras. Esta zona pesqueira, situa-se, entre o município de Curuçá, na ponta do tijoca à Viseu, na foz do rio Gurupi no extremo norte do Maranhão. A pesca que aí ocorre é realizada basicamente por pescadores artesanais, cuja atividade pode ser definida em litorânea e costeira marinha, e pela frota do pargo / vermelho (Lutjanus purpureus), em Bragança.

A maior safra ocorre no final do inverno, entre os meses de junho e início de julho, no sul dessa zona. A espécie responsável pela grande parte da produção, é a pescada gó. Ao norte, no inverno, quando o Amazonas desloca as águas salobra para o leste do estado do Pará, é que se dá a maior importância comercial da pesca artesanal neste pesqueiro.

Os principais portos de desembarques encontram-se nos municípios de Bragança, Pirabas, Marapanim, Boa vista, Curuçá, Viseu e Augusto Corrêa.


Texto e Imagem: Nadson Silva Oliveira (Todos os direitos reservados/Resumo do texto principal/ ano 2005)

quarta-feira, 16 de abril de 2014

TAMUATÁ


Callichthys callichthys

Pode-se dizer que este peixe conquistou a mesa dos paraenses apreciadores de pescados. Conhecido no Marajó, como peixe do mato. Tem demanda garantida no mercado da capital e quando sua oferta é prejudicada pelo período de defeso que ocorre no final e início de cada ano, observei no final da década de 90 que, balanceiros e peixeiros do mercado do ver-o-peso em Belém, buscam alternativas que poucos e quase nenhum Belenense conhece. Acredito que mesmo citando aqui, talvez ainda duvidem da origem dos tamuatás que consomem no período que é proibido a pesca na grande parte da Amazônia. É certo afirmar que dezenas de toneladas provenientes do Estado de São Paulo, abastecem o mercado de Belém nos meses de dezembro e janeiro. 


Texto: Nadson Silva Oliveira (Direitos reservados) resumo
Imagem: Come-se

SARDA / APAPÁ


Pellona spp


Apresenta excelente sabor. Bem aceita nos mercados da grande Belém. Entretanto, por possuírem carne recheadas de espinhas bifurcadas, acabam amedrontando alguns apreciadores de peixes.Vivem exclusivamente em águas amazônicas. Também podemos dizer que, as Sardas Verdadeiras, aquelas de coloração mais dourada, vivem mais acima, no rio Amazonas, já a espécie de maior tamanho, e de cor mais clara, vive no estuário do Pará e Amapá. A primeira prefere os rios de águas cristalinas, onde se alimenta de insetos, sendo que a segunda, talvez por estar no estuário, ambiente rico em nutrientes, sua carne apresenta mais gordura e sabor. 


Texto: Nadson Silva Oliveira (direitos reservados/resumo)
Ano: 2002

sábado, 2 de novembro de 2013

FROTA DA PESCA ARTESANAL



Pesca Artesanal

Diversos tipos de embarcações são usadas pelos pescadores artesanais de pequena, média e grande escala, nos rios, estuários e litoral Amazônico. São barcos de madeiras motorizados com capacidade de carga (urnas ou caixas) que variam de 1t a 80t, exceto de subsistência e os que praticam essa atividade em pequenos rios, lagos e entre as linhas de maré alta e baixa (praias, costões e canais), que empregam canoas a remo e montarias a vela, sem local para armazenamento da produção.  

         Se de fato fôssemos enumerar as embarcações usadas nas pescarias de todos os ecossistemas da Amazônia, teríamos de incluir as canoas; os cascos; as catraias; e as montarias, que acredito serem as mais numerosas e importantes para o pescador artesanal.

            As embarcações das pescarias do estuário, consideradas de pequeno porte, possuem capacidade de 1 a 4 toneladas, possuem urnas ou caixa móvel, motor de centro de 18 a 34 HP. Grande parte desses barcos foram financiados pelo Banco da Amazônia (FNO). É comumente encontrarmos pescando nos litorais dos municípios da região do salgado como, Viseu, Augusto Corrêa, Bragança, Boa Vista, Pirabas e Curuçá. No Rio Pará e Baía do Marajó, rotineiramente, também são encontrados nos municípios de Barcarena, Vigia, Soure, Salvaterra e nos distritos de Mosqueiro e Icoaraci (Belém). Devido sua pouca autonomia de navegação, trabalham na captura de espécies que tem seus habitats no Estuário e Litoral.

As grandes geleiras da pesca artesanal do rio Amazonas e Solimões encontram-se no estado do Amazonas e no município de Santarém no Pará. Possuem capacidade de armazenamento, que variam entre 10 a 80 toneladas. Também conhecidas como barco mãe, por serem geralmente acompanhadas de pequenas canoas a remo e motor de popa, que auxiliam as capturas nas águas do Rio Amazonas e seus tributários (afluentes).


Os barcos de grande porte (15 à 50 t), fazem suas capturas no litoral do Estado do Amapá, entre a foz do rio amazonas e a foz do rio Oiapoque no extremo norte do Brasil. Usando grande extensão de redes malhadeiras de fio de nylon (36 a 48) e espinhel, geralmente acompanhados por botes (pequenos barcos), chamado pelos pescadores que atuam nas pescarias do Norte (Litoral do Amapá) de “piolho”.. 

Texto: Nadson Silva Oliveira (Resumo do texto original/direitos reservados)
Imagens: Nadson Silva Oliveira

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

A SECA DE 2005 NA AMAZÔNIA



Por Nadson Silva Oliveira

 Para quem não esteve na Amazônia nos três últimos meses que finalizaram o ano de 2005, é impossível imaginar as secas dos seus volumosos rios. Os pescadores dessa região, já mais imaginaram que um dia poderiam atravessar caminhando os leitos de muitos rios. Mas para os ecologistas que vivem de perto o drama da floresta amazônica, acreditam que o único e exclusivo culpado por esses recentes fenômenos são as intensas queimadas na região. Para muitos é inacreditável e inaceitável que o homem “moderno” está sendo capaz de transformar em tão pouco tempo a paisagem da floresta Amazônica.

A seca ocorrida nos meses de setembro, outubro e novembro (ano de 2005), período considerado de verão em toda região norte do Brasil, foi responsável pela maior vazante dos rios Solimões e Amazonas. Foi considerada pela Administração de Hidrovias da Amazônia Oriental (AHIMOC) como a maior dos últimos dez anos. De acordo com dados do Instituto de Meteorologia do Peru, o volume do rio Amazonas caiu pela metade. Tem morador que afirma que nunca presenciou uma seca tão forte como essa. “Esse é o troco que a natureza está devolvendo para o homem”, palavra de seu Antônio, dono de flutuante em Manaus. 

As prefeituras dos municípios de Manaquiri, Caapiranga, Nova Olinda do Norte e Itapiranga, todas no Estado do Amazonas, anunciaram Estado de Calamidade Pública, no mês de outubro. No início de novembro, mais 16 municípios entraram em estado de alerta.
A situação nas comunidades do município de Nhamundá, na divisa do Amazonas com o Pará, também foi dramática, dezenas delas ficaram isoladas e sua principal fonte de alimento, o peixe, estavam morrendo. Varias comunidades na região de Santarém, oestes do Pará também ficaram sem água e alimento. As escolas tiveram seu ano letivo encerrado pela dificuldade de navegação.

A seca mudou o cenário maravilhoso dos rios da Amazônia. O odor provocado pela decomposição de milhares de peixes a beira dos rios era sentido por toda parte. Mas houve quem ainda festejou esta rigorosa seca, pelo menos nos primeiros meses, pois, com a dificuldade de navegação para a maioria das embarcações de pesca (geleiras), que praticam os arrastos das famosas redinhas de cercos, os pequenos pescadores artesanais e de subsistência tomaram contam do rio Solimões, e em pouco tempo enchiam suas canoas de peixes, principalmente com espécies (Bodó/Acari, Arraias, Piranhas e outros) mais resistente à baixa de oxigênio dissolvido na água.

Uma das maiores secas que já atingiram a Região Amazônica, pode não ter sido provocada pelo fenômeno climático El Niño como se supunha até agora, mas pelas altas temperaturas verificadas no oceano Atlântico tropical Norte. A conclusão é do cientista José Marengo, ligado ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, INPE, e que foi destaque na “Philosophical Transactions”, periódico científico da Royal Society, uma das mais respeitadas instituições científicas do mundo.

Texto: Nadson Silva Oliveira (Direitos reservados/resumo do texto principal).
Local e data: Manaus, Nov/2005
Imagem: Diario verde

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

ARAGUAIA_TOCANTINS


PESC A ARTESANAL


                     Bacia Hidrográfica do Tocantins abrange os estados de Goiás, Tocantins, Pará, Maranhão, Mato Grosso e o Distrito Federal. Grande parte situa-se na região Centro-Oeste, desde as nascentes dos rios Araguaia e Tocantins até a sua confluência, e daí, para jusante, adentra na Região Norte pelo Estado do Pará, nas proximidades do município de Bom Jesus do Tocantins e São João do Araguaia, próximo do famoso Bico do Papagaio, até a sua foz no rio Pará. Seus principais tributários são, Araguaia e Itacaiúnas, também considerados grandes pólos da pesca esportiva e comercial.
A construção da barragem da UHE de Tucuruí entre o médio e baixo Tocantins provocou uma grande mudança na vida aquática desse imenso pesqueiro. Provavelmente, a mais profunda modificação ambiental já vista nos rios da Amazônia. Quem ficou a montante, perdeu espécie que faziam migrações rio acima como, dourada e filhote, porém, foram contemplados pela abundância de espécies como, Curimatá, Mapará, Jaraqui, Caranha e Tucunaré, que se reproduziram e  espalharam-se pelo imenso lago formado pela barragem, uma área de 3.000 km² (ELETRONORTE). Responsável pela formação do maior lago artificial do País. Tornando os municípios de Tucuruí, Breu Branco, Jacundá, Itupiranga e Marabá como a mais nova área de pesca da Amazônia sejam de caráter comercial como esportiva. Enquanto que os municípios à jusante como, Baião, Mocajuba, Cametá, Limoeiro do Ajuru e Abaetetuba, deixaram de ter em suas redes e anzóis os peixes  que desciam no verão, depois das longas migrações para procriação e engorda no início do inverno amazônico.
Cerca de 70% da produção de pescado, do trecho entre a barragem e o município de Marabá, no estado do Pará é destinado ao mercado maranhense.

A pesca que acontece no baixo Araguaia, na divisa entre o Pará e o Estado do Tocantins, é semelhante em quase todos os aspectos do baixo e médio rio Tocantins: espécies, embarcações, apetrechos e modo de comercialização. Também tem potencialidade para a pesca esportiva, já sendo realizados vários torneios de pesca nos municípios que margeiam esse rio, tanto no Estado do Pará e como no Tocantins.
As principais espécies comerciais de região são: Acará, Acari, Branquinha, Caranha, Curimatá, Jaraqui, Mapará, Cachorra, Jaú, Pacu, Pirarara, Pescada Branca, Surubim, Tambaqui, Tucunaré.

Texto e Imagem: Nadson Silva Oliveira  (direitos reservados/resumo do texto principal)

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

RIO AMAZONAS



ICTIO_FAUNA

A água do Rio Amazonas é de fundamental importância para um dos maiores habitat de vida aquática do mundo.  Nos principais afluentes, Juruá, Negro, Madeira, Purus, Trombetas, Tapajós e Xingu, deságuam centenas de tributários que são abastecidos por chuvas diárias, através de cursos d´agua e canais fluviais, formando o maior rio do mundo em vazão e agora em extensão.

Esse rio nasce nas cordilheiras dos Andes no Peru, com o nome de Vilcanota e quando adentra na Amazônia brasileira, recebe o nome de Solimões, até o encontro com o rio Negro, na cidade de Manaus. Daí para baixo recebe o nome de Amazonas. Percorrem cerca de 7.000 km para formar o estuário mais rico em nutrientes do Brasil.

 Basta um lance de uma pequena tarrafa ou rede malhadeira, para nos dar uma idéia da abundância de peixes que ainda existe nesse rio. Há mais de 2.000 espécies conhecidas e acredita-se que existam mais de mil a serem descobertas, nesse grande mar de água doce.

                A ictiofauna adaptou-se a diferentes partes desse rio. Os grandes bagres: dourada, surubim, caparari, Piramutaba, Pirarara e Piraíba, por exemplo, preferem viver próximo ao fundo. Tem o ventre achatado para que possa deslizar nos leitos dos rios à procura de alimentos. O elegante Aruanã possui o corpo que facilita seus movimentos e pulos, para alcançar a preza. O espetacular e saboroso tambaqui prefere as várzeas (florestas inundadas), onde encontra seu principal alimento, os frutos / sementes.  As temíveis piranhas nadam em grandes cardumes a procura de alimentos e quando encontram, destroem a preza em poucos minutos, através de terríveis ataques. 

Os recursos pesqueiros existentes nesse paraíso chamado Amazônia encontram-se ameaçados pelos manejos incorretos, provocados pela a ação predatória do homem. Suas riquezas de biodiversidade vêm sendo colocadas em risco pela ausência de conhecimento. Nesta região estão incluídas áreas de extrema importância para a manutenção da vida aquática do norte do País, as matas de várzea, o litoral atlântico do Estado do Amapá, o golfão amazônico, a baia do Marajó e a costa atlântica do Estado do Pará, pois, são espaços responsáveis pela reprodução e alimentação da maioria das espécies de peixes de água doce, salobra e salgada.



Após os estudos coordenados pelo Instituto Geográfico Nacional do Peru (IGN) com participação do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), foi possível concluir que a nascente do Rio Amazonas fica na região do nevado Mismi, uma montanha ao sul do Peru, e não no monte Huagra, mais ao norte daquele país, como os geógrafos pensavam na década de 1960.





Texto: Nadson Silva Oliveira (direito reservado/resumo do texto original)
Imagem: Google

terça-feira, 16 de outubro de 2012

ACARI


 
Acari / Cari / Cascudo

Família Loricariidae / vários gêneros

Os Loricarídeos, Acari Bodó, Acari Pirarara, Acari Boi, Acari Amarelo, Acari Chicote e Acari cachimbo, são bastante abundantes nos rios da Amazônia. Talvez comercialmente não represente grande importância para os pescadores artesanais comerciais. Entretanto é de grande valia para subsistência das famílias ribeirinhas das Bacias Amazônica e Araguaia-Tocantins.

Nos rio Araguaia e Xingu, este peixe além de ser uma importante fonte de proteína animal para as famílias de baixa renda, também é um grande gerador de empregos e renda para os pescadores artesanais de peixes ornamentais, principalmente nos municípios de Altamira, São João do Araguaia e São Geraldo do Araguaia. Portanto é comum os festivais de Acari no calendário cultural desses municípios.

Texto: Nadson Oliveira (parte de texto/direitos reservados)
Imagem: Nadson Oliveira